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Tema

Trânsitos africanos no mundo global: história e memórias, heranças e inovações.

As diásporas africanas são, historicamente, processos constitutivos da modernidade e afirmam-se hoje como espaços de inovação cultural, de recriação e reinvenção identitária, mas também de resistência cívica e exigência democrática. Cada vez mais, o espaço público é tomado por debates em que as narrativas dominantes laudatórias do passado são interpeladas por ativismos que reclamam o lugar de fala e desafiam práticas sociais e mecanismos institucionais de discriminação.

O CIEA11 ocorrerá em data sensivelmente a meio da Década Internacional de Afrodescendentes, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2013. Com esta declaração, as Nações Unidas chamam a atenção para o facto de “milhões de seres humanos em todo o mundo” continuarem a “ser vítimas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias várias, incluindo as suas manifestações contemporâneas, algumas das quais tomam formas violentas”. Essa realidade, sem prejuízo de expressões mais recentes, mergulha as suas raízes em processos, instituições, formas simbólicas e práticas sociais multisseculares, incluindo a escravização e o tráfico de escravos, cuja complexidade vem sublinhar o lugar central e fundador da História, em particular, na perspetiva da longa duração, para o campo dos Estudos Africanos.

Tendências recentes nos Estudos Africanos refletem o predomínio de uma abordagem presentista das sociedades africanas e das suas diásporas. Abundam as pesquisas que cruzam diferentes áreas disciplinares e metodologias, mas em que se desvaloriza a dimensão tempo como variável crucial para a compreensão dos processos sociais. O registo temporal dominante centra-se no curto prazo e ordena-se segundo o eixo colonial/pós-colonial, instituindo uma cesura radical que, ao mesmo tempo, desconecta os factos sociais de cronologias e processos históricos inscritos na longa duração e contribui, involuntariamente, para reforçar visões da história de cunho evolucionista e dominadas pelo eurocentrismo. Só recolocando a diacronia no centro dos Estudos Africanos é possível dar conta dos processos de inovação que marcam o passado e o presente do continente africano.

Tópicos como a etnicidade e as criações e reconfigurações identitárias, os direitos humanos, o tráfico de pessoas, as questões de género, os conceitos e políticas de desenvolvimento, as transformações económicas, as múltiplas formas do exercício da autoridade e do poder político, a violência e a guerra, as alterações ambientais e os seus impactos, as inovações, as condicionantes e os sentidos e a natureza dos fluxos e cadências migratórias, as dinâmicas urbanas e os processos de apropriação do espaço, de par com a persistência e recrudescimento do racismo e da xenofobia, têm tudo a ganhar se a sua problematização, sem abdicar da natureza pluridisciplinar própria desta área de estudos, ponderar a espessura histórica dos processos sociais. Este é o desafio proposto ao 11º Congresso Ibérico de Estudos Africanos.

 

 

 

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